sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Perfil do aluno pobre, perfil do aluno rico

Obra de Antony Theobald
A elite brasileira, que adora odiar Paulo Freire, compra a peso de ouro para seus filhos o ingresso em escolas em muito influenciadas por ele. Aos filhos dos pobres, resta a disciplina escolar do século XIX. Mas a diferença talvez não seja tão despropositada. Afinal, nas escolas públicas estudam os pobres, que serão no futuro funcionários dos alunos ricos. E o que se espera do trabalhador pobre, a não ser obediência? Aos ricos, proporciona-se liberdade. Dos ricos, esperam-se criatividade, “empreendedorismo”, autonomia. Ao pobre, destinamos o adestramento. 
[artigo completo no link]

José Ruy Lozano, sociólogo, autor de livros didáticos, conselheiro do Conselho Independente de Proteção à Infância (Cipi) e coordenador pedagógico geral do Colégio Nossa Senhora do Morumbi – Rede Alix. Brasil, 2017

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Urgente: mudar a escola. Prioridade: função cultural



Ariana Cosme Rui Trindade são duas vozes de respeito, e que muito estimo. Fazem-nos muita falta vozes e pensamentos como os deles.

São consultores de um projeto em curso em 236 escolas portuguesas, públicas e privadas, de flexibilização curricular, que importa acompanhar .

Há dois dias (5-2-207), deram uma entrevista deveras interessante

E: Esta flexibilidade curricular vem, de alguma forma, ao encontro do que os alunos querem, das suas expectativas e necessidades? AC: Das expectativas não sei, das necessidades sim. Os alunos precisam que a escola mude, que se torne mais interessante, mais desafiante.  
Rui Trindade (RT): E que possam ser objeto de reflexão, porque o problema é que as pessoas, muitas vezes, funcionam basicamente em torno dos manuais da sua disciplina. No momento em que é preciso pensar as coisas do ponto de vista interdisciplinar, das questões da contextualização, espera-se que os alunos sejam tidos em conta. Espera-se que também possam ter alguma margem de manobra. 
Não se trata propriamente daquela conversa de responder às necessidades e interesses dos meninos, porque, muitas vezes, a necessidade é criar outros interesses e outras necessidades, mas é preciso ter em linha de conta aquilo que eles são, aquilo que eles sabem, e também aquilo que se espera que eles possam vir a ser.  
Fonte:Os alunos precisam que a escola mudehttps://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=128832

Dez anos antes (2007), alertaram:
"É partindo deste ponto de vista que importa enfrentar, então, um dos graves equívocos que a ambiguidade de algumas das perspectivas mais emblemáticas sobre a função social da escolaridade pública tem vindo a alimentar. O equívoco em função do qual se tende a desvalorizar a função cultural da Escola face à sua função social, como se no caso da instituição escolar a possibilidade da segunda se concretizar não dependesse, antes de tudo o mais, da possibilidade de afirmação da primeira. Trata-se de um equívoco que é sustentado pelo facto de não se ser capaz de compreender que o principal objectivo da instituição escolar é o de estimular, apoiar e contribuir para a apropriação do património cultural, sobretudo o património que tem vindo a ser construído sob a égide das diferentes áreas do saber, proporcionando, assim, às gerações mais jovens a posse de instrumentos e dispositivos de mediação que lhes permitam afirmar-se como cidadãos do mundo. Uma finalidade que só é exequível se a apropriação desse património constituir uma oportunidade de descobrir os outros e a importância dos outros, quer como interlocutores exigentes quer como cúmplices solidários, dos quais depende, inevitavelmente, tanto aquela apropriação como o seu contributo para o desenvolvimento pessoal e social de cada um daqueles que se encontra envolvido num tal processo. 
Os professores, neste sentido, perdem a centralidade de um estatuto que há muito deixaram de ter para adquirirem uma importância pedagógica, de algum modo inédita, e da qual tanto necessitam, eles, os seus alunos e as próprias escolas. Significa isto que, do ponto de vista dos docentes, o seu trabalho mais do que ampliar-se deverá complexificar-se, o que, se por um lado, obriga cada professor a transitar do paradigma do instrutor para o de mediador de situações de aprendizagem - enquanto interlocutor cultural e pedagogicamente qualificado que é; não pode, por outro, justificar que os professores assumam outras tarefas, como por exemplo as de um educador social ou de um animador sócio--cultural, as quais lhes são estranhas tanto no que diz respeito às suas finalidades como à assunção das responsabilidades pela execução das mesmas. 
As responsabilidades sociais dos professores definem-se assim e prioritariamente, no que ao exercício da profissão diz respeito, pelas suas responsabilidades pedagógicas, entendidas como uma componente decisiva que permite identificar as suas responsabilidades educativas mais amplas. Responsabilidades essas que, hoje, obrigam os professores a permanecer mais tempo nas escolas, para além do tempo que dedicam ao trabalho na sala de aula, de forma a terem momentos que possam disponibilizar para o atendimento aos alunos e aos respectivos encarregados de educação, a reconstruírem e a reformularem os projectos curriculares das turmas onde leccionam, a analisarem colegialmente intervenções educativas de carácter interdisciplinar ou a definirem, monitorizarem e avaliarem projectos de acção pedagógica tendentes quer a superar as dificuldades de aprendizagem ou a responder às especificidades cognitivas e culturais dos seus alunos quer a definir situações capazes de mobilizar o esforço e o investimento destes mesmos alunos, implicando-os no desenvolvimento de projectos que se afirmem pelo seu potencial educativo. Responsabilidades que passam, igualmente, quer pelo seu envolvimento em actividades de formação relacionadas com os desafios e as vicissitudes dos quotidianos escolares ou com a sua valorização profissional quer pela assunção de actividades do foro institucional relacionadas com assessorias várias, a participação em observatórios focalizados no estudo de problemas que justifiquem intervenções de fundo, a participação em projectos de avaliação relacionados com os contextos de trabalho e, entre outras actividades possíveis, a participação em acções conducentes ao desenvolvimento de trabalhos em parceria com outros actores e instâncias locais."

Fonte:https://terrear.blogspot.pt/2007/01/tem-palavra-rui-trindade-e-ariana-cosme.html

domingo, 26 de novembro de 2017

Mudar a escola, é preciso. Porquê? Pelas crianças

Luís Borges
Há coisas que não estão de acordo com as capacidades das crianças. Eles conseguem, mas com grande esforço, grande stress e sem alegria. Ao nível do cérebro, quando a criança faz uma conta bem feita e tem sucesso, é libertada uma substância que gera bem-estar, a dopamina. Já o insucesso liberta as hormonas de stress, a adrenalina, que muitas vezes bloqueiam a capacidade de raciocínio. Se a criança tem medo de errar, não está em boas condições para aprender. Depois, o stress acumula-se e a motivação que é o motor para aprender não existe, a escola torna-se «uma seca».


Luís Borges, neuropediatra, uma esntrevista preciosa, 26.11.2017

domingo, 19 de novembro de 2017

Infografia direitos de autor - Educação

yes,
free
yes,
paid
no ?
Czech Republic
Denmark
Estonia
Finland
France
Germany
Italy
Luxembourg
Malta
Netherlands
Poland
P...




Infografia com indicadores de 15 situações de utilização (casos do dia a dia) de recursos em contexto educativo. Inclui o indicador comparativo em três níveis e entre 15 países europeus.

Muito interessante: não fala só de escolas e de educação formal, mas refre ainda educação não formal, museus, bibliotecas, organizações não governamentais ONG.

A Communia, coerente com os seus princípios, declara este recurso Domínio Público (Public Domain): podemos usar sem medos! E mais, podemos sempre ir ao seu site e saber mais sobre Direitos de Autor e Educação (tudo em língua inglesa... mas deveras interessante).



Esta infografia, em língua inglesa embora de autores de nome português (Teresa Nobre e André Rocha) é muito útil e permite-nos, se conseguirmos ler detalhadamente cada segmento, confirmar que em Portugal há práticas correntes nas aulas que serão ilegais... 



Ex. projetar e comentar um filme em écran a partir de um dvd, ou de um video online (permitido em 60% dos países da UE, o nosso não está entre esses...). Se for um segmento do filme, já é permitido... Ah, e verifiquei: também o autorizam a enviar por email aos estudantes - e vivam as plataformas online e o negócio de quem as fornece! Conversar cara a cara e nas aulas é que não : usem o facebook!



Cosias que não fazem mesmo sentido, a não ser para propiciar rendas a fiscais. A educação, em países que levam a sério o desenvolvimento (e por isso levam a sério cultura e educação) foi sempre uma excepção em termos de direitos de autor, porque muitos autores consideram e bem que se não foram promovidos e divulgados pela educação, desaparecem, pois serão esquecidos. Claro que para isso é preciso ver mais longe, como nos países (60%) que autorizam estas práticas



Infografia direitos de autor - Educação

Escolas de futuro? A biblioteca é essencial.




14.11.2017. Nesta entrevista concedida com exclusividade à Biblioo, António Novoa, professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e reitor honorário da mesma universidade, fala sobre educação, escola sem partido e o papel das bibliotecas no processo educacional. Novoa, que foi candidato independente às eleições presidenciais de 2016, agregando vários apoios à esquerda, diz que as bibliotecas, municipais e escolares, são uma das grandes mudanças trazidas pela Revolução em Portugal. 

A partir do minuto 12.06 - sobre a Lei das Bibliotecas Escolares no Brasil. Hoje ainda apenas 40% das escolas no Brasil têm biblioteca. Nóvoa realça as bibliotecas municipais e as bibliotecas escolares como grandes mudanças em Portugal, saudando "uma geração de bibliotecários absolutamente notável.", sem esquecer que hoje a biblioteca também está em todo o lado, a começar pelos nossos bolsos com telemóveis, e que os melhores bibliotecários são sempre os que conseguem dessacralisar o livro.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

É um desperdício pedir aos alunos que guardem os “smartphones” nas aulas, diz professora

 
Mas, ressalvou a professora, o uso dos telemóveis e tabletes obedece a um regulamento elaborado em conjunto com os alunos e que prevê um sistema de pontos, que penaliza o mau uso.
"A ideia é que eles sintam que têm uma ferramenta muito potente, mas que tem que ser usada positivamente. Eles sabem que se usarem indevidamente perdem pontos e eles não gostam de perder pontos", disse.


É um desperdício pedir aos alunos que guardem os “smartphones” nas aulas, diz professora | SAPO Lifestyle

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

As mulheres só conseguem um novo emprego, e os homens cinco (em cada 20 empregos que se perdem com a automação)

 Sophia in film
Sophia, o robot apresentado no Web Summitt 2017, em Lisboa. Foto sem créditos, daqui
"Ao fazedor Sergey Kalnish, toda esta tecnologia e os robôs também causam pouca estranheza. Chegou à cimeira a partir do Canadá para apresentar a Smarthire, uma aplicação que pretende contratar para os empregos do futuro. "A automação e a tecnologia vão alterar o panorama do emprego, disso não tenho dúvidas nenhumas. Mas a mudança não será diferente da que a internet provocou", revela o empreendedor ao DN/Dinheiro Vivo. 
Os números dos estudos mais recentes não escondem a aproximação das mudanças: a consultora EY estima que em sete anos um em cada três empregos possa ser substituído por sistemas de tecnologia inteligente. Já o Fórum Económico Mundial estima que a robótica possa vir a destruir 5 milhões de empregos até 2020. O Fórum adianta ainda que por cada 20 empregos destruídos pela automação, os homens conseguirão encontrar cinco novos empregos enquanto as mulheres apenas um. 
Na Smarthire as mudanças já começaram. "Nos EUA e no Canadá a internet das coisas vai eliminar milhares de empregos. E este é um problema do agora. Por isso, temos de mudar a forma como aprendemos, como ensinamos e como temos de nos especializar e dar incentivos ao talento. Porque o problema do emprego é também uma ironia: temos muitas pessoas que não conseguem encontrar trabalho e, ao mesmo tempo, inúmeras vagas em funções onde não existem candidatos", admitiu. 
É precisamente nos EUA que a Amazon desenvolveu um novo sistema que substitui por robôs milhares de operadores que catalogavam e geriam as encomendas. A Mastercard tem parcerias internacionais com startups tecnológicas que desenvolvem soluções de pagamento idênticas à que esta gigante do retalho pôs em campo em Denver.
Ann Cairns, presidente da Mastercard, não esconde que esta substituição é real, mas lembra que os humanos vão ter sempre a sua função, mesmo quando as funções realizadas exigem baixas qualificações. "Esses empregos vão desaparecer, mas serão criados outros empregos de proximidade e personalização de serviços", considera a responsável.
Mark Hurd, CEO da Oracle, também está confiante na evolução da tecnologia com base em inteligência artificial. Esta, diz, será a próxima grande evolução nos próximos anos "e vai estar cada vez mais integrada nas aplicações empresariais. Há muitos benefícios, porque a inteligência artificial faz coisas que os seres humanos pura e simplesmente não têm tempo", disse o gestor. " - in artigo do DN, hoje
Web Summit - ″Não vamos destruir o mundo mas vamos ficar com os empregos″

RBE / Programa / / Media@ção

Media@ção


Concurso aberto, para todas as escolas de ensino não superior

Sem limite de número de trabalhos por escola ou agrupamento...



Do Regulamento:



Artigo 3.º
Trabalhos a concurso

 1 – Os trabalhos a concurso devem:

a) Ser individuais ou de grupo, com o máximo de 3 alunos;

b) Ser obras originais, não sendo admitidas, designadamente, cópia de trabalhos já
existentes, devendo tratar os seguintes temas:



  • i. Para a categoria do 1.º e 2.º ciclos do ensino básico: “há vida para além da televisão,
    dos videojogos e da Internet”. 
  • ii. Para a categoria de 3.º ciclo do ensino básico e secundário: “como lidar com as
    notícias falsas (fake news)”. 


c) Ter caráter narrativo, podendo ser apresentados sob a forma de vídeo, podcast ou spot
publicitário;
d) Incluir uma ficha técnica onde estejam explicitadas o título, o nome e ano do(s) aluno(s), o
nome do professor orientador, a identificação da escola e do agrupamento, e o ano de
edição, bem como outras informações consideradas pertinentes;

e) Ter a duração máxima de 3 minutos, incluindo título, identificação de fontes e ficha
técnica;
f) Ser apresentados em formato AAC, AVI, FLAC, FLV, MOV, MP3, MP4, MPEG2, MPEG4,
WMA, WMV



Artigo 7º - Prazos

1– Os trabalhos de cada escola devem ser enviados pelo professor bibliotecário ou pelo
professor orientador até ao dia 23 de março de 2018, através do endereço eletrónico
media@mail-rbe.org podendo ser usada a via wetransfer (https://www.wetransfer.com/).

2 – A comunicação dos resultados do concurso será feita no decurso da Operação 7 Dias com os
Media 2018 (de 3 a 9 de maio), nos portais e redes sociais das entidades promotoras.





RBE / Programa / / Media@ção