Pesquisar Search

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Recuperar atrasos


"(...) Em 1878, um século após Pombal, quatro quintos - quatro quintos! - da população portuguesa não sabe ler nem escrever. É estarrecedor comparar este número com o que se passa na Europa culturalmente avançada: em 1881 o número de analfabetos na Suécia cifrava-se em 0,4 %. Em 1881 ! Pela mesma época, a Alemanha apresentava 0, 51 % ; a Inglaterra e a Escócia, 1% ; a Noruega, 0,08 %; e a Dinamarca, 0, 36 %.
Em 2011 - 2011 !! - a taxa de analfabetismo em Portugal é ainda de uns arrepiantes 9 %, o que corresponde a quase um milhão de cidadãos. Dez vezes mais do que a Europa desenvolvida no final do século XIX !!
O ensino primário obrigatório foi instituído na Prússia de Frederico I em 1717. Em França, foi a Revolução Francesa que instituiu a educação obrigatória e universal em 1791. (...) Nas colónias americanas de Nova Inglaterra, o ensino era obrigatório desde 1642 alargando-se, gradualmente, após a independência em 1776 aos territórios que passaram a compor os Estados Unidos.(...)
Em Portugal, os quatro anos de ensino primário obrigatório e universal são instituídos em 1960 !! (...)
Em educação o atraso de séculos não se recupera em anos."
in "Matemática em Portugal - Uma questão de educação", de Jorge Buescu (2012)

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Pequenos passos fariam tanta diferença...

 A minha foto
Quando lá cheguei senti-me uma extraterrestre e os primeiros meses foram de espanto por ver os meus filhos a adorarem ir à escola de uma forma nova, a adorarem estudar ao ponto de quererem ir à escola até ao sábado! Sim, a escola enche ao sábado porque os alunos querem... É um espírito comunitário, criam-se clubes e grupos que desenvolvem projectos ligados ao que estão a dar durante a semana, e fazem trabalhos baseados em projectos individuais e em grupo.


Agora, em Portugal, tenho o contrário, e é frustrante ver que pequenos passos fariam tanta diferença... Mas há um muro gigante chamado Currículo que trava tantos talentos e sonhos dos nossos filhos, neste país maravilhoso que temos aqui em Portugal, mas que tem um ensino esmagador e castrador...

2017

Por uma Escola Diferente: A nossa experiência em Singapura (Gracinha Viterbo...: Depois de três anos a viver em Singapura e a conviver com um ensino aberto, alegre e feliz, com respeito pelas crianças e pelas suas ideias,...

Pequenos passos fariam tanta diferença...

 A minha foto
Quando lá cheguei senti-me uma extraterrestre e os primeiros meses foram de espanto por ver os meus filhos a adorarem ir à escola de uma forma nova, a adorarem estudar ao ponto de quererem ir à escola até ao sábado! Sim, a escola enche ao sábado porque os alunos querem... É um espírito comunitário, criam-se clubes e grupos que desenvolvem projectos ligados ao que estão a dar durante a semana, e fazem trabalhos baseados em projectos individuais e em grupo.


Agora, em Portugal, tenho o contrário, e é frustrante ver que pequenos passos fariam tanta diferença... Mas há um muro gigante chamado Currículo que trava tantos talentos e sonhos dos nossos filhos, neste país maravilhoso que temos aqui em Portugal, mas que tem um ensino esmagador e castrador...

2017

Por uma Escola Diferente: A nossa experiência em Singapura (Gracinha Viterbo...: Depois de três anos a viver em Singapura e a conviver com um ensino aberto, alegre e feliz, com respeito pelas crianças e pelas suas ideias,...

domingo, 9 de setembro de 2018

Próximo passo - os novos ambientes de aprendizagem


natur.png


Capítulo 12, p. 222
La investigación sobre el aprendizaje sugiere que un ambiente del aprendizaje posee las siguientes características:
• hace que el aprendizaje sea central, alienta el  compromiso y  es  donde los estudiantes llegan a considerarse a sí mismos como aprendices;
• está donde el aprendizaje es social y, a menudo, colaborativo;
• está muy en sintonia com las motivaciones de los estudiantes y  la  importancia de las   emociones;
• es muy sensible a las diferencias individuales incluidas en los conocimientos previos;
es exigente con todos los estudiantes, pero sin una sobrecarga excesiva;
• utiliza evaluaciones coherentes com sus objetivos, com un fuerte énfasis en la retroalimentación formativa;
• promueve la conexión horizontal a través de actividades y asignaturas, dentro y fuera de la escuela.
El capítulo presenta una agenda educativa —centrada en el estudiante, estructurada, personalizada, social e inclusiva— en consonancia con estas conclusiones, antes de discutir algunas de las cuestiones complejas relacionadas con la implementación

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

8 de setembro 2018 - Alfabetização para toda a gente

1

“Quando aprenderes a ler, serás livre para sempre”, escreveu Frederick Douglass, no século XIX, um escravo negro americano liberto, campeão da causa abolicionista e autor de várias obras. Este apelo à emancipação através da leitura e, de um modo mais geral, do domínio dos conhecimentos fundamentais - ler, escrever e contar - tem um alcance universal. 
A alfabetização é o primeiro passo para a liberdade, para a libertação das condicionantes sociais e económicas. É o pré-requisito para o desenvolvimento, individual e coletivo. Reduz a pobreza e as desigualdades, cria riqueza e ajuda a erradicar problemas de nutrição e de saúde pública. 
Desde a época de Frederick Douglass, e particularmente nas últimas décadas, foram alcançados progressos consideráveis em todas as regiões do mundo, e milhões de homens e mulheres foram resgatados da ignorância e da dependência através de um amplo movimento de alfabetização e de democratização do acesso à educação. No entanto, a perspetiva de um mundo em que cada indivíduo seja detentor de conhecimentos fundamentais permanece um ideal. 
Hoje em dia, em todo o mundo, mais de 360 milhões de crianças e adolescentes não estão matriculados na escola; seis em cada 10 crianças e adolescentes – ou seja, 617 milhões - não adquirem as competências mínimas em literacia e numeracia; 750 milhões de jovens e adultos ainda não sabem ler e escrever - e destes, dois terços são mulheres. Estas lacunas, que são extremamente incapacitantes, levam à exclusão de fato da sociedade e perpetuam a espiral de desigualdades sociais e desigualdades de género. 
A tudo isto se soma agora um novo desafio: um mundo em plena mutação, onde o ritmo das inovações tecnológicas está continuamente a acelerar-se. Para poder encontrar um lugar na sociedade, conseguir um emprego e responder aos desafios sociais, económicos e ambientais, as competências tradicionais em literacia e numeracia já não são suficientes; novas competências, inclusive em tecnologias da informação e comunicação, estão a tornar-se cada vez mais necessárias. 
É um desafio preparar os jovens e os adultos para empregos que na sua maioria ainda não foram inventados. É por isso indispensável ter acesso a uma aprendizagem durante toda a vida, tirar proveito de caminhos e pontes entre as diferentes modalidades de formação e beneficiar de grandes oportunidades de mobilidade. 
Em 2018, este Dia Internacional é subordinado ao tema “Alfabetização e desenvolvimento de competências” e foca-se numa abordagem evolutiva da educação. A UNESCO está ativamente envolvida nesta redefinição de políticas de alfabetização e incentiva práticas educacionais inovadoras. Também apoia as diferentes formas de cooperação entre o setor público e o setor privado, porque somente uma compreensão global da causa da educação pode responder adequadamente às necessidades de um mundo que parece reinventar-se a cada dia. 
Neste Dia Internacional, convido todos os atores do mundo da educação, e de outros setores, pois trata-se de uma causa que a todos diz respeito, a mobilizarem-se a fim de que o ideal de uma sociedade mundial inteiramente alfabetizada se converta um pouco mais em realidade. 
Audrey Azoulay
2018