domingo, 3 de abril de 2011

Japão: 10 coisas que aprendi

Mensagem de Abril de 2011 (com uma ajuda da Angelina!)

Greetings! 
The past month has seen much attention on earthquakes that hit various countries – first the devastating tremors and tsunami in Japan on 11 March, and then another that hit rural Myanmar (but was felt as far away in Bangkok) on 24 March. Most of us were moved by the reports and pictures of the damage in the mass media, and the personal accounts of some our colleagues, especially Yumiko Kasai. Many IASL members have offered to help in the country's reconstruction efforts. IASL member Kazuyuki Sunaga has already provided details (in a message on IAS-Link on 17 March) of one avenue to channel your contributions, but you may use other avenues you wish. I urge all IASL members to assist in whatever way you can.
We cannot prevent natural disasters such as earthquakes, but we can learn from them. A Filipino friend of mine forwarded to me an e-mail on "10 things we can learn from Japan". I do not know the origin of the message, but I was very impressed by the values it conveyed. The 10 lessons were:
1. THE CALM: Not a single visual of chest-beating or wild grief. Sorrow itself has been elevated.
2. THE DIGNITY: Disciplined queues for water and groceries. Not a rough word or a crude gesture.
3. THE ABILITY: The incredible architects, for instance. Buildings swayed but didn't fall.
4. THE GRACE: People bought only what they needed for the present, so everybody could get something.
5. THE ORDER: No looting in shops. No honking and no overtaking on the roads. Just understanding...
6. THE SACRIFICE: Fifty workers stayed back to pump sea water in the N-reactors. How will they ever be repaid?
7. THE TENDERNESS: Restaurants cut prices. An unguarded ATM is left alone. The strong cared for the weak.
8. THE TRAINING: The old and the children, everyone knew exactly what to do. And they did just that.
9. THE MEDIA: They showed magnificent restraint in the bulletins. No silly reporters. Only calm reportage.
10. THE CONSCIENCE: When the power went off in a store, people put things back on the shelves and left quietly.

We should share them with others and pass them on to our children.
On a different note, as we approach summer in the northern hemisphere, it will be a time for many conferences, seminars, and other professional development activities. As you attend these events, please take some time to publicize the importance of school libraries and the role of IASL, especially to non-school librarians. We often complain that school libraries are not given the support they deserve. There is often a lack of a `buy-in' for school libraries. People will `buy' and support something only if they are convinced of the value of it. And valuing begins with awareness. So let us do what we can to create awareness of the wonderful things school libraries can do for our children.
Best wishes,
Djilit Singh
President
International Association of School Librarianship


segunda-feira, 28 de março de 2011

BIBLIOTECAR: BIBLIOTECÁRIO PORTUGUÊS NOMEADO PARA PRÉMIO INTERN...

BIBLIOTECAR: BIBLIOTECÁRIO PORTUGUÊS NOMEADO PARA PRÉMIO INTERN...: "[fotos retiradas do Papalagui, blogue do Nuno Marçal] Num mundo de e-books e ipads e realidades aumentadas e mais uma interminável..." VIVA O NOSSO BLB (Brio Luso Bibliotecário)! VIVA!

Literacia & Cidadania, rima e assobia!

Não pude ir a Braga, ao Congresso :( mas encontrei este recurso muito interessante.
Trata-se de materiais produzidos e/ou recolhidos expressamente sobre o tema da Literacia para a Cidadania, por Lesley Farmer, que alguns de nós já conhecem (Vice Presidente da IASL duranmte alguns anos, é professora numa Universidade da Califórnia que forma especialistas para bibliotecas escolares).


Durante o seu ano sabático, produziu este recurso, de acesso aberto e gratuito. Em inglês, mas se houver quem queira traduzir, podem submeter-lhe os resultados (entende o português, tem tido colaboração com escolas brasileiras, e na Califórnia o espanhol é mais falado ainda que o inglês) http://k12digitalcitizenship.wikispaces.com/.

Email da Professora L. Farmer lfarmer@csulb.edu

Se a contactarem, mandam-lhe um abraço meu. :)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia da Poesia - 2



Manuel da Fonseca merece. Mário Viegas, como sempre, apetece.
Alentejo e Ribatejo nas palavras e no tom.

Depois de ouvirmos o Domingo do Manuel da Fonseca, as semanas nunca mais são as mesmas

DOMINGO

Quando chega domingo,
faço tenção de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.

Há quem vá para o pé das águas
deitar-se na areia e não pensar…
E há os que vão para o campo
cheios de grandes sentimentos bucólicos
porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
«Bom tempo para amanhã»…
Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
pois nesse dia
aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
são mais generosos.

Um rapaz que era pintor
não disse nada a ninguém
e escolheu o domingo para se matar.
Ainda hoje a família e os amigos
andam pensando porque seria.
Só não relacionam que se matou num domingo!

Mariazinha Santos
(aquela que um dia se quis entregar,
que era o que a família desejava,
para que o seu futuro ficasse resolvido),
Mariazinha Santos
quando chega domingo,
vai com uma amiga para o cinema.
Deixa que lhe apalpem as coxas
e abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe bordou,
quando ela era ainda muito menina…

Para eu contar isto
é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!
À hora negra das noites frias e longas
sei duma hora numa escada
onde uma velha põe sua neta
e vem sorrir aos homens que passam!
E a costureirinha mais honesta que eu namorei
vendeu a virgindade num domingo
— porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!

Há mais amargura nisto
que em toda a História das Guerras.

Partindo deste principio,
que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.
E esta era uma das coisas mais belas
que um homem podia fazer na vida!

Então,
todas as raparigas amariam no tempo próprio
e tudo seria natural
sem mendigos nas ruas nem casas de penhores…

Penso isto, e vou a grandes passadas…
E um domingo parei numa praça
e pus-me a gritar o que sentia.
mas todos acharam estranhos os meus modos
e estranha a minha voz…
Mariazinha Santos foi para o cinema
e outras menearam as ancas
— ao sol como num ritual consagrado a um deus! —
até chegar o homem bem-amado entre todos
com uma nota de cem na mão estendida…

Venha a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu fique rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras;
venha a ânsia do peito para os braços!

E vou a grandes passadas
como um louco maior que a sua loucura…
O rapaz que era pintor
aconchegou-se sobre a linha férrea
para que a morte o desfigurasse
e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
de revolta contra o mundo.
Mas como o rosto lhe estava intacto
vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
Conheci-o numa noite de bebedeira
e acho tudo aquilo natural.

A costureirinha que eu namorei
deixava-se ir para as ruas escuras
sem nenhum receio.
Uma vez que chovia até entrámos numa escada.
Somente sequer um beijo trocámos…
E isto porque no momento próprio
olhava para mim com um propósito tão sereno
que eu, que dela só desejava o corpo bem feito
me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
que era aquela serenidade
de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
No entanto, ela nunca pôs obstáculo
que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
Hoje encontramo-nos aí pelos cafés…
(ela está sempre com sujeitos decentes)
e quando nos fitamos nos olhos.
bem lá no fundo dos olhos,
eu que sou homem nascido
para fazer as coisas mais heróicas da vida
viro a cabeça para o lado e digo:
— rapaz, traz-me um café…

O meu amigo, que era pintor,
contou-me numa noite de bebedeira:
— Olha, quando chega domingo,
não há nada melhor que ir para o futebol…
E como os olhos se me enevoassem de água,
continuou com uma voz
que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
— …. no entanto, conheço um homem
que ia para a beira do rio
e passava um dia inteirinho de domingo
segurando uma cana donde caia um fio para a água…
… um dia pescou um peixe,
e nunca mais lá voltou…

O pior é pensar:
que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
como se fosse uma festa?…
O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
tão rara e certa e maravilhosa
que deslumbrado se matou.

Pago o café e saio a grandes passadas.
Hoje e depois e todos os dias que vierem,
amo a vida mais e mais
que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!

Mariazinha Santos,
que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe bordou…
E os senhores serenos, acompanhados da mulher e dos filhos,
que parem ao sol
e joguem um tostão na mão dos pedintes…
E a menina das horas longas e frias
continue pela mão de sua avó…
E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
fita-me bem no fundo dos olhos,
fita-me bem no fundo dos olhos!

Então,
virá a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu ficarei rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
e virá a ânsia do peito para os braços!

Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!

Manuel da Fonseca

Dia da Poesia - 1

Manuel da Fonseca, em centenário comemorável (1911-1993), um poema memorável cantado pelo Adriano Correia de Oliveira.

Tu e Eu Meu Amor


Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"