Reunir e poder voltar a ler materiais sobre ALFIN - Alfabetización Informacional, Literacia da Informação, Information Literacy. Desde 2008 To gather for later reading (again) materials on IL issues. Since 2008
terça-feira, 28 de dezembro de 2021
Quem move a biblioteca é quem nela trabalha diariamente
sábado, 10 de julho de 2021
Que se passa nas nossas escolas?
Para mudar, é preciso conhecer, e aprofundar o conhecimento da realidade. A investigação ajuda.
A racionalidade formal, em busca do “menor meio”, foi dominante, por mais que o legislador tivesse insistido discursivamente em razões educativas e em critérios pedagógicos. Revelou-se, contudo, incapaz de compreender como o processo e os meios administrativos usados contrariavam, radicalmente, os fins educativos e pedagógicos anunciados.
O predomínio de uma lógica racionalizadora centralizadora sobre uma lógica alternativa de tipo associativo autonómico pode ter permitido alguns ganhos em termos de modernização, de padronização de regras, de gestão da grande escala segundo critérios universais e orçamentais, mas menorizou a substantividade dos processos educativos, as dinâmicas institucionais, as regras organizacionais construídas no plano da ação organizacional escolar, para além de ter apoucado os atores educativos e a já mítica “autonomia da escola”.
Os choques entre racionalidades distintamente ancoradas são, assim, inevitáveis. Mas o maior problema reside na naturalização e despolitização da razão técnico instrumental, como se todos os referenciais alternativos engendrassem soluções inaceitáveis e tecnicamente menores.
Por isso o diálogo e a argumentação entre distintos universos de racionalidade não são apenas difíceis; mais do que isso, tendem a ser evitados, substituídos pela força da imposição normativa e pelo estabelecimento de relações de poder de tipo autoritário, coercivo e disciplinar. Em termos de estudo, os agrupamentos de escolas representam um dos mais interessantes problemas a explorar.
Este texto pretendeu contribuir para a compreensão das políticas, dinâmicas e perfis dos agrupamentos, trabalhando dados estatísticos de proveniência oficial e procurando estabelecer relações entre eles, tendo como pano de fundo os objetivos de democratização da educação e interrogando, a partir das razões invocadas pelo legislador, as vantagens pedagógicas destas novas “unidades administrativas”.
Num contexto em que quase metade dos agrupamentos do continente são parciais – enfraquecendo o racional adotado pelo legislador –, chamou-se a atenção para:
- as dificuldades de democratização das suas organização, estruturas e funcionamento;
- as tensões entre percursos escolares integrados e justapostos;
- as dificuldades em garantir uma transição adequada entre níveis e ciclos de ensino (especialmente sem a reorganização destes);
- os limites e contradições do anunciado reforço da capacidade pedagógica das escolas;
- os limites apresentados à democratização, à participação dos atores e à autonomia das escolas.
in
TORRES e LIMA (2020) Políticas, dinâmicas e perfis dos agrupamentos de escolas em Portugal
Ler mais aqui http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/n237_a03.pdf
E prosseguir visionando aqui (video de 2020) https://youtu.be/Xy37RLTUpEw
quinta-feira, 3 de junho de 2021
FORMAR PROFESSORES – PREPARAÇÃO, DEDICAÇÃO, PAIXÃO
Maria José Magalhães, Maria José Vitorino
Professoras
Ser professor tem de ser uma paixão - pode ser uma paixão fria, mas tem de ser uma paixão. Uma dedicação.António Gedeão / Rómulo de Carvalho
Várias/os investigadores/as defendem um período probatório de indução profissional. A formação docente, desde logo a inicial, deve assumir uma forte componente práxica – reflexão entre teoria e prática, centrada na aprendizagem das/os alunos/as e no estudo de casos concretos, tendo como referência o trabalho escolar.
A formação de professores deve passar para «dentro» da profissão, isto é, deve basear-se na aquisição de uma cultura profissional, concedendo aos/às professores/as mais experientes um papel central na formação das/os mais jovens. Têm de ser as/os profissionais desta área a decidir e a determinar o quê, como e quando as/os futuros/as docentes devem aprender antes de entrar na profissão. (a exemplo das profissões médicas, de enfermagem...)
Contributos como os de António Nóvoa[1] destacam o conhecimento, o tacto pedagógico, a cultura profissional, o trabalho em equipa (incluindo também, e cada vez mais, outros profissionais), o compromisso social, transversais à exigência que se coloca a quem é docente.
Não tem sentido abordar a formação inicial de professores sem a estruturar de acordo com as competências necessárias para a prática profissional, e o perfil de professor que desejamos e de que, como comunidade, precisamos para sustentar um futuro melhor. Entendemos a docência como ciência, mas também como arte/ofício, exigindo:
- Conhecimentos
- Saberes-fazer
- Valores e atitudes
- Ética e deontologia
- Prática e investigação, sendo essencial a relação entre teoria e prática
- Criatividade
"(…) teacher agency and expertise are often underutilized in education systems throughout the world, and that by encouraging greater teacher agency and better leveraging and utilizing the collective expertise of teachers, educational systems can become more successful and more equitable" [2]ZEICHNER, Kenneth M.
- possuir um conjunto de conhecimentos e de técnicas necessários ao exercício qualificado da atividade docente
- aderir a valores éticos e a normas deontológicas, que regem não apenas o quotidiano educativo, mas também as relações no interior e no exterior do corpo docente, o que se traduziria numa adesão ao projeto histórico da escolarização.
Em relação ao controlo sobre a profissão, verifica-se que é o Estado quem o faz, na seleção, na formação e nas habilitações para a docência. Deverão ser as/os docentes a controlar a profissão, e desde logo a reflectir e intervir sobre a formação inicial. A formação inicial e contínua deve contribuir para ampliar as suas competências para tal, e esse é hoje um dos desafios por enfrentar. M. T. Estrela (1993) "uma das lacunas no estudo da profissão é a relativa aos aspetos deontológicos a qual tem sido marginalizada pela investigação, apesar da sua reconhecida importância como elemento integrador da profissão". [4]
O modo como nos vemos e nos exigimos saber, saber-fazer, ser, individualmente e enquanto colectivo profissional, interage, ainda, com o modo como os demais nos veem, esperam, ou nem esperam, de nós, nos valorizam. A profissão docente tem vindo a sofrer uma “perda de imagem e apoio social determinada tanto por fatores endógenos como exógenos...”.
- Revestir uma importância social excecional já que os seus membros trabalham com o conhecimento, as atitudes e os valores.
- Precisar de uma especialização, não sendo suficiente a intuição ou a vocação para o seu exercício.
- Exercitar-se regularmente num contexto espaço-temporal determinado, exigindo uma progressiva adaptação às suas condições.
- Ter um objeto próprio, consistente no desenvolvimento de atividades tendentes a provocar a construção do conhecimento e a favorecer processos de aprendizagem significativa nos/as alunos/as.
- Inspirar-se em valores sociais assentes em ideais democráticos.
- Precisar do envolvimento dos professores na investigação, como processo de construção do saber profissional, ultrapassando a ideia de que a prática docente é a-teórica ou de que a teoria nada tem a ver com a prática.
- Submeter-se ao controlo e avaliação públicas, garantindo o uso adequado dos bens de que dispõe e a melhoria do serviço público prestado.
- Desenvolver-se em quadros institucionais que devem oferecer um apoio psicológico e condições e meios suficientes para o exercício gratificante da atividade.
- Apresentar-se como um serviço colegiado o que requer a formação de equipas e a colaboração na investigação e na docência.
- Conceber-se como fonte de criação e difusão do conhecimento o que exige a participação de todos os que intervêm na tarefa, especialmente dos/as alunos/as, que são os/as protagonistas do processo de aprendizagem.
Com preparação e dedicação, usemos a paixão, fria ou quente, de que somos tão capazes para tomar a palavra e fazer este caminho.
[1] NÓVOA, António. – Para uma formação de professores construída dentro da profissão. In Revista de Educación, Madrid : Ministerio de Educación y Formación Professional, Nº 07 [2009]. Disponível em URL: https://www.educacionyfp.gob.es/revista-de-educacion/dam/jcr:31ae829a-c8aa-48bd-9e13-32598dfe62d9/re35009por-pdf.pdf (acedido 2021.05.24)
[2] ZEICHNER, K. M. - A formação reflexiva de professores : ideias e práticas. Lisboa : Educa, 1993. (Educa : Professores; 3). ISBN 972-8036-07-8. Disponível em URL: https://repositorio.ul.pt/handle/10451/3704 (acedido 2021.95.24)
[3] GARCÍA ALONSO, Maria Luísa. - Inovação curricular, formação de professores e melhoria da escola : uma abordagem reflexiva e reconstrutiva sobre a prática da inovação-formação. Braga : Universidade do Minho, 1998. Tese de doutoramento em Estudos da Criança. Disponível em URL>: http://hdl.handle.net/1822/10840 (acedido 2021.05.24)
[4] ESTRELA, Maria Teresa. - Profissionalismo docente e deontologia. Lisboa: Colóquio Educação e Sociedade, nº4, Dez. 1993, pp.1985-210
sexta-feira, 7 de maio de 2021
365Dias Leitura
Como se chega ao logotipo do projeto 365DiasLeitura (Viseu, 2021), de que a Laredo Associação Cultural é parceira. Desenho original de Miguel Horta, design de Ana Rosa Assunção.
Apresentação dia 8 maio 2021, 14.30, em linha a partir da Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, Viseu. Inscrições e informação : 365diasleitura@gmail.com
Viseu vai ter bibliotecas digitais para incentivar a leitura
O projeto “365 Dias de Leitura” vai disponibilizar livros digitais em vários locais de Viseu, seja um jardim ou uma central de transportes, o hall de um hotel ou a sala de espera de um cabeleireiro. O processo para sugerir espaços e os acervos vai começar agora.
A partir de dia 1 de agosto, Viseu acolhe o projeto “365 Dias de Leitura”, que consiste em disponibilizar bibliotecas digitais comunitárias em vários espaços de Viseu, que podem estar no centro histórico, em instituições de intervenção social e cultural e outras entidades que venham a solicitá-lo à organização.
O processo de escolha desses locais e as obras que vão integrar cada uma das bibliotecas móveis inicia-se no dia 23 de abril, Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor, e apela à participação da comunidade viseense e não só!
A partir de uma ideia de Cláudia Sousa, o projeto “365 Dias de Leitura”, financiado pelo Viseu Cultura 2021, Linha Programar, vai permitir, até ao final do ano, o acesso gratuito a mais de 300 livros, através de 15 leitores digitais, específicos para este tipo de leitura.
Associado ao efeito surpresa de encontrar estas pequenas bibliotecas em espaços que podem variar desde um jardim à central de camionagem, de um hotel a um cabeleireiro, passando por um café ou uma associação,”365 Dias de Leitura“ pretende dar valor, promover e investir no livro e na leitura, nas pessoas e na comunidade.
Ao diversificar os espaços de acesso à leitura, ”365 Dias de Leitura“ pretende contribuir, ainda, para a revitalização, dinamização e sustentabilidade das zonas de interesse patrimonial, motivando a deslocação e o encontro nos locais onde estarão disponíveis, gratuitamente, equipamentos leitores e livros digitais.
Para lá de acrescentar uma oferta cultural diferente e constante,”365 Dias de Leitura“ propõe-se ser acessível a todos, incluindo pessoas cegas e de baixa visão. Cláudia Sousa, profissional de Viseu com trabalho na área da divulgação do livro e da leitura, destaca nesta iniciativa a importância da leitura, quaisquer que sejam os suportes.
sexta-feira, 9 de abril de 2021
Letra Pequena - BAR Blogue Altamente Recomendável
Os autores não puseram o animal na tradicional loja de porcelanas, mas a passear pela cidade. E a distribuir gelados aqui e ali, onde houver crianças.
Estava um elefante tranquilo na sua vida estável, monótona e previsível que o jardim zoológico lhe facultava, quando um pequeno rapaz o desafiou a abandonar toda aquela paz e sossego. (...)
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Tudo se move, tudo se transforma - ensino à distância, a sério!
Hoje saiu um artigo de Samuel Silva no Público que creio que nos interessa a todos, e para que chamo a vossa atenção.
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
POCH | Relatório Estatístico de Educação de Adultos – Portugal
sábado, 27 de junho de 2020
quinta-feira, 18 de junho de 2020
Bibliotecas prisionais Livro Leitura
Conferência disponível no Canal Youtube da FEBAB https://youtu.be/q331VGwTQzA
Alguma bibliografia mencionada na conversa

Orientações para serviços de biblioteca em estabelecimentos prisionais (2005, trad. port. 2015)
https://www.ifla.org/files/assets/hq/publications/professional-report/92-pt.pdf

The Prison library primer (2009)
https://www.goodreads.com/book/show/7009686-prison-library-primer

Books beyond bars (2019)
https://uil.unesco.org/adult-education/books-beyond-bars-transformative-potential-prison-libraries
Leituras em cadeia - encontro com Miguel Horta (2014)
https://www.youtube.com/watch?v=1QR-Ghfcu-4
Poemas escolhidos / António Gedeão
http://purl.pt/12157/1/poesia/poemas-escolhidos.html
Amor fóssil, p. 90. Reproduzido aqui https://wp.me/p2Ow4-yg

O meu pé de laranja-lima / Jos+e Mauro de Vasconcelos
segunda-feira, 20 de abril de 2020
terça-feira, 14 de abril de 2020
Em casa, estudo e aprendo

A partir de 20 de abril de 2020.
Horário de transmissões pela RTP, a combinar com os horários organizados pelas escolas e as famílias
Boas jornadas!
Ler mais aqui
https://www.rtp.pt/
sábado, 11 de abril de 2020
E de repente, +literacia tem de ser em casa, sobretudo em casa
"As análises do impacto da literacia no desempenho económico de Portugal durante os últimos 50 anos deixam poucas dúvidas de que o país pagou um preço significativo por não ter aumentado a oferta de competências de literacia ao dispor da economia. A estimativa do PIB per capita perdido representa uma enorme redução nos padrões de vida para a grande maioria dos cidadãos portugueses.Para corrigir esta situação, será necessário um esforço concertado e coordenado, que: associe políticas educativas, sociais e económicas de uma forma que aumente a oferta das competências de literacia à saída do sistema escolar; reduza o número de adultos com baixas competências através da disponibilização de formação de qualificação; intensifique as necessidades de conhecimentos e de competências para o emprego, bem como a aplicação da literacia no trabalho; melhore a eficiência dos mercados que atribuem competências de literacia; aumente a procura social e económica para a aquisição e a utilização das competências de literacia.Se não empreender esta acção concertada e coordenada, o país terá inevitavelmente taxas de crescimento económico e padrões de vida abaixo do seu potencial. Nesse caso, as indústrias portuguesas vão ter cada vez mais dificuldades em competir com os seus concorrentes europeus e de outros países estrangeiros. O desemprego vai aumentar, os salários e os benefícios vão diminuir e a desigualdade social nas questões que os portugueses mais valorizam – saúde, riqueza e sentido de pertença – vai aumentar. Economicamente, o que está em causa para Portugal é muito importante. Em 2000, o PIB per capita português situava-se em 16 034 dólares, um nível inferior, num total de 8 320 dólares, à média de 15 países seus homólogos na área da OCDE. O dinheiro pode não comprar a felicidade, mas este montante de rendimentos perdidos proporcionaria um enorme aumento dos padrões de vida usufruídos pela maioria dos cidadãos de Portugal. A literacia é a chave para desbloquear esses benefícios." (p. 121) "Os dados apresentados [...] deixam poucas dúvidas de que um programa como o Plano Nacional de Leitura é desesperadamente necessário em Portugal. As coortes recentes de jovens saídos do sistema de ensino básico apresentam dos níveis médios mais baixos de competências de literacia e das percentagens mais elevadas de níveis mais baixos de competências de todos os países europeus. Na ausência de uma intervenção significativa, a quantidade e a qualidade das competências desenvolvidas pelo sistema de ensino básico português terão pouco impacto na oferta geral de competências ao dispor do sistema de ensino superior e do mercado de trabalho.Sem um aumento nos valores de literacia, os retornos do investimento no ensino superior serão inferiores ao esperado e as taxas de crescimento da produtividade serão limitadas. Em consequência, a capacidade de Portugal para competir nos mercados europeus e globais será diminuída. Por conseguinte, o presente relatório apoia claramente o Plano Nacional de Leitura e os seus objectivos de melhorar os comportamentos de literacia da leitura no pré-escolar e entre as crianças e os jovens no ensino básico e, a longo prazo, aumentar a procura social de leitura.Não obstante este apoio geral, as conclusões sugerem uma necessidade de melhorar vários aspectos do plano actual.Em primeiro lugar, as iniciativas visam primordialmente aumentar a procura social de competências de literacia e as oportunidades de participação dos alunos em práticas de literacia. Embora sejam necessárias, estas medidas podem não ser suficientes para precipitar as melhorias gerais pretendidas nas competências de literacia. Portugal já lançou um programa nacional para promover as competências pedagógicas dos professores de línguas nas escolas do ensino básico. Este programa pode ser ainda mais reforçado se for possível melhorar as capacidades de diagnóstico e a prática pedagógica dos professores no que respeita à literacia. É também provável que os professores do ensino básico necessitem de aceder a um conjunto mais amplo de instrumentos para a avaliação e o diagnóstico precoces de dificuldades de leitura e a estratégias de intervenção conexas para lidar com as deficiências identificadas. Sem medidas como estas, a procura crescente de leitura pode não se traduzir numa maior oferta.Os dados disponíveis nos estudos PIRLS e PISA fornecem indicações fortes de que muitos professores do ensino básico em Portugal não possuem a competência requerida para ensinar crianças a ler em níveis crescentes de aptidão. Para que as reformas educativas já iniciadas sejam bem-sucedidas, os professores têm de participar activamente e apoiar os processos de reformas em que o país está empenhado.Em segundo lugar, os objectivos fixados em matéria de quantidade de horas a dedicar à leitura na educação pré-escolar e nos primeiros anos de escolaridade está abaixo do que a bibliografia científica sugere ser necessário para reduzir desigualdades na preparação para aprender em turmas de crianças de diferentes grupos sociais e para assegurar que todas as crianças estejam prontas para fazerem com êxito a transição de “aprender a ler” para “ler para aprender” até ao 4.º ano. O alargamento das oportunidades para aprender ao longo do dia e o aumento do tempo dedicado a tarefas de leitura são, pois, considerações importantes.Em terceiro lugar, e porventura mais importante, existe falta de investimento complementar para o aumento do nível da procura económica de literacia e, consequentemente, da intensidade na participação em literacia no local de trabalho. Como se referiu no Capítulo 4, a fraca exigência em conhecimentos e em competências do mercado de trabalho português é baixa, numa perspectiva comparativa. Além disso, o mercado de trabalho português não parece recompensar as competências de literacia na medida esperada. Face a esta realidade, os alunos portugueses, com excepção dos melhores, têm poucos incentivos para investirem tempo e esforço no aumento do seu nível de literacia.Em quarto lugar, não é certo que o aumento da procura social de competências de literacia e da participação dos alunos em práticas de literacia tenha o impacto desejado nas crianças em idade escolar que deixaram o sistema de educação inicial. Portugal tem das taxas mais baixas de persistência para a conclusão do ensino secundário, o que limita a eficácia das intervenções realizadas na Escola junto destes alunos. Os dados comparativos internacionais sugerem que a conclusão do ensino secundário superior é um indicador crítico, que maximiza a probabilidade de os estudantes atingirem o nível 3 das escalas de aptidão. O nível 3 foi considerado o nível necessário para sustentar a participação no ensino superior, a aprendizagem ao longo da vida, a produtividade do trabalho e a participação democrática. Assim, as reformas ambiciosas já lançadas com vista a reduzir ainda mais as taxas de abandono escolar vão proporcionar aos educadores mais oportunidades para influenciarem os níveis de leitura das crianças.Finalmente, se não forem investidos mais recursos na prestação de uma instrução eficiente e eficaz em matéria de literacia para adultos, particularmente no local de trabalho, mas também através dos programas Novas Oportunidades, é de esperar que diminua a eficácia geral do Plano Nacional de Leitura. As crianças que vivem em agregados familiares caracterizados por baixos níveis de escolaridade dos pais e pouca prática de leitura, em que o acesso a um amplo conjunto de materiais de literacia é limitado, serão menos receptivas aos incentivos criados pelo Plano. Um maior enfoque em programas de literacia dirigidos às famílias tem o potencial de melhorar, em simultâneo, os níveis das competências de literacia de ambas as gerações.Para concluir, acreditamos que as ambiciosas reformas educativas em curso em Portugal são profundamente necessárias. Em particular, o Plano Nacional de Leitura deve, progressivamente, aumentar tanto a procura social de leitura como a utilização de competências de literacia no mercado de trabalho. Sem um plano desse tipo, Portugal terá grandes problemas em manter a sua competitividade nos mercados europeu e mundial e terá cada vez mais dificuldades em atrair investimento directo estrangeiro.Se a nossa análise estiver correcta, se Portugal não obtiver um aumento rápido e substantivo no nível de literacia funcional de toda a sua população, o país terá dificuldades em realizar os seus objectivos económicos e sociais, e só transferências maciças da União Europeia evitarão um declínio relativo do seu nível de vida." p. 121-124
quarta-feira, 1 de abril de 2020
Dossier Educação e Media em revista sobre o COVID19
![]() |
| Imagem de ES José Régio, Vila do Conde |
Teletrabalho
E o Direito UNIVERSAL à educação?
Nº de Março 2020 descarregável em pdf ou legível em issuu
Vale mesmo a pena ler!
sexta-feira, 20 de março de 2020
Ensino À Distância, RTP e o que mais adiante se verá (mas depressa...)
| Imagem de Daniel Rocha, Público 20.3.2020 |
E da realidade: é muito maior o número de casas com televisão que com computadores + internet que cheguem para tudo e para todos. Ainda mais com o teletrabalho generalisado.
Ensino à distância?
Não é o regresso da Telescola, mas a RTP responde com conteúdos educativos
20.03.2020
Em causa não está a reactivação da Telescola, mas encontrar um espaço que dilua o fosso social do ensino à distância assente no digital. RTP já está a coordenar conteúdos com o Ministério da Educação.
dministração (CA) da RTP o retomar do ensino à distância. Através do gabinete de imprensa da televisão pública, o presidente do CA, Gonçalo Reis, confirmou ao PÚBLICO ter recebido uma sugestão do CO para “a disponibilização de certas faixas horárias (materiais e recursos) na Rádio e na Televisão para a sua utilização, em coordenação com o Ministério da Educação, para fins educativos.” “A administração agradeceu e informou que os directores da RTP estão já a tomar várias iniciativas nesse sentido”, foi a resposta.A sugestão, numa primeira fase, explicou Maria Emília Brederode dos Santos, presidente do Conselho Nacional de Educação e membro do CO da RTP, propunha que o ensino à distância pudesse recorrer à difusão radiofónica, “que não carece de presença e que será mais fácil de organizar”. A iniciativa, defendeu a responsável ao PÚBLICO, “poderia ser uma maneira de organizar o ensino à distância minimizando as desigualdades”, entre, por exemplo, quem tem um computador em casa e quem não tem, e “fazendo um apelo aos professores para que disponibilizassem os materiais”.
-
Mais um produto RTP Ensina, desta vez para os mais novos e sobre a cidadania e os Direitos das Crianças. 15 programas curtos (5 min cada),...










