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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Quem move a biblioteca é quem nela trabalha diariamente


Quem são os/as professores/as bibliotecários/as em Portugal Continental nas escolas integradas na RBE, mais de metade, embora menos de 2/3, com formação académica "específica"? E nas que não a integram, quem desempenha (ou não desempenha) funções similares?
Como será a situação do resto das equipas envolvidas na gestão e dinamização das bibliotecas escolares do mesmo território?
E nos Açores (RRBE)? E na Região Autónoma da Madeira?

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sábado, 30 de março de 2019

Biblioteca Escolar, Para Que Te Queremos


PosterAlies.png
Fonte: https://www.ensil-online.org/a-library-in-every-school (acedido 20190330) 

Essencial na escola, por presença qualificada ou por omissão ou desqualificação, a biblioteca escolar é determinante no rumo das aprendizagens de alunos e profissionais, e no desenvolvimento da literacia de todos. 
Não basta afirmar a promoção do pensamento crítico, de competências de leitor e de criador de informação em todos os suportes, incluindo a capacidade de inferir sentidos, ler nas entrelinhas, e de produzir conteúdos, recorrendo a linguagens diversas e tecnologias disponíveis para expressão e comunicação, é preciso que existam bibliotecas escolares reconhecidas e geridas como elemento essencial da escola e do que nela se passa, ricas de possibilidades, realmente acessíveis e inclusivas, apoio na compreensão dos problemas e parte das soluções. Recurso diário de cada indivíduo e dos grupos que a escola organizar, permite, estimula - turma/classe/ano, departamentos, grupos de projeto, grupos informais. 
Para tal, são importantes espaços físicos, meios técnicos, coleções, mas sobretudo orientações, referências e... pessoas preparadas e apoiadas nesse sentido, Trabalhando em rede, mais facilmente reforçam a sua preparação e as suas forças. Distinguem a escola em que se integram, e a qualidade e valor das aprendizagens que nela ocorrem., dos alunos mas também dos profissionais que com eles trabalham. Para bem e para mal.
Um país, um sistema educativo que as preze ganha vantagens geracionais comprovadas na promoção das literacias e da cidadania. Quem a despreze, no longo prazo, perde.
O balanço faz-se no futuro. E está a ser eito todos os dias.
"As the research and information arm of the school, school library programs can provide professional development to teachers and instruct students on information use and ethics. Fully integrated library programs with certified librarians can boost student achievement and cultivate a collaborative spirit within schools. School leaders who leverage these assets will realize what research has shown: Quality school library programs are powerful boosters of student achievement that can make important contributions to improving schools in general and, in particular, closing the achievement gap among our most vulnerable learners."
LANCE (2018)

domingo, 12 de março de 2017

Literacia & Bibliotecas Escolares na Geografia das Oportunidades Para Toda a Gente

Resultado de imagem para learning commons ontario model school library

Para ter omoletas, é preciso ovos. Para conseguirmos cidadãos com níveis de literacia adequados ao século XXI, é preciso mais que coleções de livros/bibliotecas de turma e duas idas por semana à biblioteca municipal... E mais que compras de tablets e portáteis sem acompanhamento de ninguém na sua utilização e na exploração do potencial destas e de outras tecnologias. Na escola, que é onde toda a gente vai nas democracias. E fora dela, mas também nela.


Em 2011, no Canadá, apenas 56% das escolas básicas tinham professor-bibliotecário (um retrocesso face aos 80% em 1997/98); 66% das escolas secundárias tinham professor bibliotecário eram 78% em 1997/98); 40% das escolas básicas e 57% das secundárias possuiam uma política para trabalho/utilização de redes sociais.

A People For Education, uma ONG Canadiana acessível - o site apresenta informação em 15 línguas, incluindo o português - estava preocupada com estes sinais de atraso e produziu um estudo sobre o impacto das bibliotecas escolares na literacia das futuras gerações, que vale a pena conhecer.
"Quando inquiridos sobre se a sua escola tinha um plano ou estratégia d epromoção da literacia, os diretores de escolas (básicas) eram 6 vezes mais capazes de descrever planos para melhorar a elaboração de testes/padrãode leitura e escrita do que de dar conta de estratégias para melhorar as competências dos alunos na pesquisa ou no uso de tecnologia da informação; os diretores de escolas secundárias estavam 3 vezes mas à vontade para responder com descrições de estratégias para melhorar resultados de literacia.Mas algumas escolas deram respostas relacionadas com a pesquisa e a tecnologia da informação. E nestas escolas, metade indicaram o professor-bibliotecário como tendo um papel chave no desenvolvimento das suas estratégias."
Recomendaram em 2011:

  • "apoio governamental ao papel de liderança dos professors-bibliotecários, que podem trabalhar com os professores de sala de aula para desenvolvewr programas de literacia da informação conretizáveis, para todos os alunos
  • apoio governamental para educação em informação e tecnologia nas faculdades de educação e ao longo do desenvolvimeno profissional de todos os professores"

Leiam mais aqui
http://www.peopleforeducation.ca/wp-content/uploads/2011/07/School-Libraries-2011.pdf

Em 2016, a mesma organização, no seu relatório anual sobre as escolas, não esquece as bibliotecas, defendendo a formação qualificada do professor-bibliotecario e o seu reconhecimento como parte da equipa educativa como decisivos na qualidade das oportunidades que a escola oferece. A estratégia de Ontario é valorizada como positiva - assumidas as bibliotecas escolares como "Learning Commons"
In Ontario, many school libraries have recently transitioned to a Learning Commons model, where the library provides both a physical and virtual space for student learning. 
This model requires collaboration between teacher–librarians, classroom teachers, students, principals, and technical staff. It also integrates technology into a space that is dynamic and adaptable based on students’ learning needs.
Leiam mais aqui 
The geography of opportunity: what’s needed for broader student success 
http://www.peopleforeducation.ca/wp-content/uploads/2016/05/P4E-Annual-Report-2016.pdf

domingo, 12 de julho de 2015

Carta aberta ao Diretor (antes que coloque um novo professor bibliotecário)

Querido(a) Diretor(a)


Sei que anda muito ocupado(a), por isso não estou com meias palavras: recrutar e apoiar pessoas fantásticas para trabalhar com os alunos da sua escola é a parte mais importante da sua tarefa. Ponto. Não é a segurança na escola. Não é o apoio da comunidade. Não são os transportes, is serviços educativos ou a manutenção das instalações. São as pessoas. Porque quanto melhores pessoas tiver, quanto mais seguras, autónomas e capazes elas forem, menos
problemas terá em todas as outras áreas. Gente fantástica = Resultados Fantásticos.


Dito isto, estou capaz de apostar que passa muito tempo a pensar no assunto. Especialmente nesta altura do ano em que colocações, candidaturas, transferências e aposentações começam a chegar. Enquanto professora durante toda a vida, associo o fim do ano letivo a muitas coisas: miúdos a dizer adeus nas janelas dos autocarros pelo última vez, cacifos esvaziados, sossego em todo o lado e um quase indescritível cansaço. Mas para o diretor, esta época do ano também significa procurar e acolher pessoas novas. Pela minha experiência, muitos diretores desenvolveram um sistema bastante bom para recrutar novos professores para a sala de aula. Têm a percepção de como selecionar educadores de excelência para coordenar os departamentos, uma lista de questões afinadas para perguntar e suficiente intuição para saberem quando encontraram “o tal”. Quando se trata de escolher novos professores bibliotecários, porém, o processo é muitas vezes um pouco menos eficiente.

E olhem que não é culpa vossa. Eu entendo. É muito possível que a) nunca tenham sido professores bibliotecários; b) nunca tenham escolhido um professor bibliotecário; c) nunca
tenham colaborado com um professor bibliotecário (no tempo em que eram professores na sala de aula); e d) provavelmente também não assistiram a uma conferência não existente no curso para diretor na qual vos diziam o que deviam esperar do professor bibliotecário que em breve iriam dirigir.


Mas apesar da falta de orientações que receberam neste campo, acreditem que se trata de um ponto importante. Tão importante como a escolha de um novo professor para o 5º, o 8º ou o 11º ano. Em alguns aspetos, mais importante, porque o vosso professor bibliotecário vai trabalhar com todos os professores e todos os alunos, vai adquirir materiais que apoiarão quer o vosso curriculum essencial quer as intervenções que conceber para os seus alunos mais vulneráveis. Vai apontar o caminho nas iniciativas tecnológicas e construir programas que
ajudarão a desenvolver os hábitos de literacia dos vossos pequenos estudantes. É um trabalho grande e importante. E vai precisar de alguém à altura da tarefa. Precisa de um bibliotecário
fantástico.

E vou ajudá-lo a encontrar um.

Como se prepara para reunir com candidatos para este papel, eis o que lhe sugiro que faça:
  1. Procure alguém que goste mais de crianças que de livros. Os livros são maravilhosos. E os novos bibliotecários devem adorá-los. Mas devem gostar mais de crianças. Procure pela paixão quando lhes falar do seu trabalho, mas assegure-se que esta paixão se centra no que torna a profissão de professor bibliotecário a melhor  do mundo: a oportunidade para relacionar as crianças com o primeiro livro que lhes mudará a vida.
  2. Procure a pessoa certa, e não apenas o grau académico certo. Os bibliotecários que estiverem a ler isto não vão gostar, mas a pessoa certa pode concluir a formação certa mais tarde. Esta transformação raramente acontece no sentido inverso. Para além disso, vou contar-lhe um pequeno segredo. Eu ainda não tinha acabado a minha formação quando um diretor arriscou e colocou-me como professor bibliotecário. E tudo correu bem. (Quero ser clara. Vai PRECISAR de um professor bibliotecário certificado, devidamente formado. Mas se encontrar a pessoa certa que quer adquirir a
    formação, e os eu sistema permitir recrutar uma pessoa assim, não deixe que esta carência inicial o impeça de recrutar alguém que é fantástico.)
  3. Procure por dados e resultados. Os dados aparecem em todas as formas e tamanhos. Peça ao seu potencial professor bibliotecário para os usar de forma a ter a certeza que o seu trabalho faz diferença. Descubra que tipo de informações ele/ela recolhe, e de que forma ele/ela modifica a sua prática de forma a ir ao encontro das necessidades dos alunos e como é que as usa para avaliar a eficácia do seu trabalho.
  4. Procure alguém que possa fazer crescer os leitores, não apenas os indicadores de leitura. Desenvolver as competências leitoras e desenvolver o hábito de ler são duas coisas diferentes. Mas quando falamos do trabalho importante de ajudar os alunos a
    aprofundá-los (ou a adquiri-los) uma coisa não pode existir sem a outra. Vai precisar de um professor bibliotecário que possa apoiar o trabalho dos professores em sala de aula e ao mesmo tempo crie espaços, eventos, formação e programação que possam ajudar a
    tornar a leitura uma parte essencial da vida de cada aluno.
  5. Procure por um líder (ou por alguém que anda a treinar para isso). Já o disse, mas vale a pena repetir: o vosso professor bibliotecário trabalha com todos os professores e todos os alunos da escola. Precisa de um treinador, um chefe de claque, um visionário, um
    rebelde e alguém que corra riscos. Precisa de alguém que esteja disposto a fazer o que for preciso pelos vossos estudante e que possa inspirar outros a fazer o mesmo 
  6. Procure por alguém que está sempre a aprender. Pergunte pelos seus hábitos de aprendizagem. Pergunte-lhe quem são os seus “heróis de referência”, onde vão buscar inspiração pedagógica e como é que continuam a crescer como profissionais na arte mais preciosa do mundo. Procure por alguém para quem aprender seja parte do seu ADN porque só um “aprendiz ao longo da vida” pode inspirar a mesma paixão nos outros.
Isto não é tudo. Encontrar a pessoa certa é apenas parte da equação. Quando tiver colocado o candidato perfeito, ele/ela vai precisar que faça algumas coisas para o ajudar a ser o melhor professor bibliotecário de que for capaz. Tem de o apoiar. Eis como:
  1. Tenha expetativas altas. Pela minha experiência, as pessoas correspondem às expetativas que temos para elas. Por isso coloque as suas expetativas altas e observe como o professor bibliotecário as atinge.
  2. Dê-lhe trabalho significativo. Oferecer a outros professores um período planificado não é um trabalho significativo. Obrigar alunos a escolher livros de um certo conjunto não é um trabalho significativo. Entregar e receber livros todo o dia não é um trabalho significativo. Dê-lhe tarefas importantes. Trabalho que realmente conte. Tanto quanto possível, dê-lhes tempo para colaborar com professores da sala de aula, gerir a coleção de recursos da vossa biblioteca escolar e trabalhar com alunos de modos que produzam resultados reais.
  3. Ponha o seu dinheiro onde estão as suas prioridades. Uma e outra vez, os estudos mostram que programas de biblioteca escolar que são financiados de forma suficiente e consistente têm um impacto positivo nas aprendizagens dos alunos. Eu sei que estes são tempos difíceis. Não lhe dão dinheiro suficiente para apoiar todos os programas que gostaria, mas um investimento na biblioteca escolar é um investimento nos seus estudantes. Pergunte a si mesmo quanto vale isso para si e depois actue em conformidade.
  4. Esteja presente. Tenha orgulho. Visite a biblioteca tantas vezes quantas puder e mostre publicamente o grande trabalho que estiver a ser feito aí. Quando potenciais país, membros da direção da escola ou um inspector passarem para uma visita, garanta que a biblioteca escolar faz parte do itinerário. Você, e o seu professor bibliotecário, juntos, vão construir qualquer coisa de fantástico. Tenha a certeza de que o exibe.
Eu sei. É muita coisa. Mas é capaz de o fazer. Ainda não tem a certeza de por onde começar? Aqui ficam algumas boas perguntas para uma entrevista. Fique à vontade para as usar. Mas sugiro que faça as suas.

Agora... vá em frente e encontre o professor bibliotecário que os seus alunos merecem.


Love,
Library
Girl
 Jennifer LaGarde, 2015.05.25, 11:33 AM 
(tradução MJV)

The Adventures of Library Girl: An Open Letter To Principals (Before You Hire A New School Librarian)

domingo, 18 de agosto de 2013

Cabeça e coração - bibliotecas escolares, pensamento crítico, missão educativa



Critical Thinking - Saskatoon Public Schools - Elementary LibGuides - LibGuides at Saskatoon Public Elementary Schools
Students use critical thinking skills to plan and conduct research, manage projects, solve problems, and make informed decisions using appropriate digital tools and resources.
a.      Identify and define authentic problems and significant questions for investigation
b.      Plan and manage activities to develop a solution or complete a project
c.      Collect and analyze data to identify solutions and/or make informed decisions
d.      Use multiple processes and diverse perspectives to explore alternative solutions
Uma parte importante dos Guias da Biblioteca das Escolas Públicas de Saskatoon (Canadá). Trabalho inspirador!
Vale a pena percorrer o sítio web e deter-se nos materiais aí reunidos e organizados pela Biblioteca Escolar, que está sempre no coraçãoi das aprendizagens dos alunos, como lembra o video feito em 2013 pelos Professores Bibliotecários de Washington (EUA), da WLMA (Washington Library Media Association).