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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Escola em transformação, saber, curar, cuidar, tratar


Ter as dimensões cognitivas e de empatia, de curar, cuidar, tratar são essenciais para o futuro da escola, defende António Nóvoa (Foto: Enric Vives-Rubi
o/Público)

"Mas o mais importante virá da capacidade de conhecermos, de refletirmos e de partilharmos histórias que já existem. Isto é, de sabermos que em Portugal e no Brasil, e na China e em muitos lados, em África, há professores, escolas e comunidade que estão a fazer coisas extraordinárias, mas a que nós não damos muitas vezes a devida atenção.

Que tipo de impacto esse olhar mais amplo traria?

A filósofa Simone Weil escreveu uma longa carta ao mestre dela – ele dizia que agora que ela havia concluído o doutorado, precisava de um plano de ação. Weil escreve sobre o que acha que pode ser este plano de ação para ela e termina com palavras mais ou menos assim: ‘Depois de tudo que escrevi, a sensação que tenho é que se há um plano de ação que eu gostaria de levar para frente, era dirigir-me ou trabalhar com todos aqueles que sabem ou fazem alguma coisa e para os quais não basta saber e fazer, porque desejam refletir sobre o que sabem e que fazem’.

Acho que este é o ponto. Hoje em dia não basta na área da educação nós sabermos ou fazermos alguma coisa. Por muito importante que seja, não podemos nos contentar. Temos que ser capazes, por exemplo, de refletir sobre o que sabemos e fazemos, refletir sobre as histórias e experiências que existem, sobre as coisas que nos mobilizam. Quando eu digo reflexão, eu digo individual e coletiva, reflexão que conduz a uma escrita, reflexão que conduz a uma escrita partilhada, da qual se podem retirar novas dinâmicas e aprendizagens. Acho que esse é o caminho para o futuro da educação." (2021- António Nóvoa)


António Nóvoa: aprendizagem precisa considerar o sentir

domingo, 19 de novembro de 2017

Escolas de futuro? A biblioteca é essencial.




14.11.2017. Nesta entrevista concedida com exclusividade à Biblioo, António Novoa, professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e reitor honorário da mesma universidade, fala sobre educação, escola sem partido e o papel das bibliotecas no processo educacional. Novoa, que foi candidato independente às eleições presidenciais de 2016, agregando vários apoios à esquerda, diz que as bibliotecas, municipais e escolares, são uma das grandes mudanças trazidas pela Revolução em Portugal. 

A partir do minuto 12.06 - sobre a Lei das Bibliotecas Escolares no Brasil. Hoje ainda apenas 40% das escolas no Brasil têm biblioteca. Nóvoa realça as bibliotecas municipais e as bibliotecas escolares como grandes mudanças em Portugal, saudando "uma geração de bibliotecários absolutamente notável.", sem esquecer que hoje a biblioteca também está em todo o lado, a começar pelos nossos bolsos com telemóveis, e que os melhores bibliotecários são sempre os que conseguem dessacralisar o livro.